sexta-feira, 4 de março de 2011

Que tal um passeio na fazenda...de corpos.


Depois de tanto R. Raven "impregnar" na minha cabeça para acompanhar a série investigativa CSI: Crime Scene Investigation acabei cedendo e assistindo alguns capítulos. No quarto episódio só consegui dizer uma coisa: "QUE CHAPADO!!!". Fiquei tão entusiasmado com o carisma dos personagens e com as tramas em questão que decidi atualizar o The House com uma matéria sobre fazendas. Não sobre fazendas rurais ou na pior das hipóteses, programas sobre BBB's com peões de boiadeiro e algumas "vacas" e sim sobre uma fazenda em especial: as Fazendas de Corpos.

Os antropólogos forenses podem datar restos mortais observando a atividade dos insetos sobre o corpo em decomposição, mas se já se descompôs até o esqueleto, o trabalho fica bem mais difícil. É aí que a pesquisa da "Fazenda de Corpos" começa. Elas têm ensinado os cientistas a estudar o terreno em torno dos restos mortais em busca de provas - a acidez no solo pode indicar há quanto tempo o corpo tem liberado fluidos na terra. Além disto, os especialistas passaram a prestar atenção aos efeitos do tempo e do ambiente. Os cientistas consideram o efeito do processo de putrefação sob o sol quente e árido e também como um corpo em decomposição pode ser dilacerado por animais em busca de alimento. Se os ossos maiores estiverem espalhados, é seguro assumir que o corpo está no local por um período longo (os animais carregam os ossos pequenos primeiro).

A Western Carolina é uma das três únicas universidades nos EUA que defende o mérito de permitir a decomposição de corpos humanos naquilo que seria somente um adorável campus universitário. Além da fazenda de corpos na WCU, há também fazendas na Universidade do Tennessee, Knoxville e na Universidade do Texas, San Marcos. Neste artigo, você vai saber tudo sobre as Fazendas de Corpos e seu papel na educação e investigação. Mas, antes entenda o que acontece com o corpo quando a pessoa morre.

A fim de compreender como as fazendas de corpos funcionam, é interessante saber alguns dados básicos sobre a morte humana e a decomposição. Embora soe bastante macabro, é perfeitamente normal que o corpo passe por diversas mudanças radicais quando a pessoa morre.

Para começar, quando o coração pára de bater, as células do corpo e os tecidos param de receber oxigênio. As células cerebrais são as primeiras a morrer - normalmente em três a sete minutos (fonte: Macnair). Ossos e células da pele, no entanto, sobrevivem por diversos dias. O sangue começa a ser drenado dos vasos sanguíneos para as partes inferiores do corpo, criando assim uma aparência pálida em alguns lugares e uma aparência mais escura em outros.

Três horas após a morte, começa o rigor mortis, que é o endurecimento dos músculos. Após 12 horas, o corpo esfria e dentro de 24 horas (dependendo da gordura corporal e das temperaturas externas) perde todo o calor interno em um processo chamado algor mortis. Depois de 36 horas, o tecido corporal começa a perder sua rigidez e, dentro de 72 horas, a rigidez cadavérica diminui.

Conforme as células morrem, as bactérias dentro do corpo começam a desintegrá-lo. Enzimas no pâncreas fazem com que o órgão se dissolva sozinho. O corpo logo assume uma aparência horrível e começa a cheirar mal. Tecidos em decomposição liberam uma substância esverdeada e gases como metano e sulfeto de hidrogênio. Os pulmões expelem um fluído pela boca e pelo nariz.

Insetos e animais certamente percebem tais sinais. O corpo humano oferece alimento e é um ótimo lugar para depositarem seus ovos. Uma mosca pode se alimentar bem com um cadáver e depois liberar até 300 ovos sobre ele, gerando cria em um dia.

life cycle of fly

Os gusanos - larvas que nascem destes ovos - são extremamente eficientes e carnívoros. Começando pela parte externa do corpo onde nascem as larvas usam ganchos na boca para sugar os fluídos que escorrem do cadáver. Depois de um dia, as larvas entram no segundo estágio de sua vida, cavando para dentro do cadáver.

Movendo-se em grupo, as larvas se alimentam de carne em putrefação e soltam enzimas que ajudam a tornar o corpo em uma substância pegajosa. O mecanismo de respiração se localiza na extremidade oposta da sua boca, permitindo que coma e respire simultaneamente sem interrupção de tempo. Uma larva em sua fase inicial apresenta 2 milímetros de comprimento, mas quando atinge o terceiro estágio e deixa o corpo como prepupa, pode chegar a 20 milímetros - 10 vezes seu tamanho inicial. Larvas podem consumir mais de 60% do corpo humano em menos de sete dias (fonte: Australian Museum).

O ambiente no qual o corpo está também afeta seu índice de decomposição. Por exemplo, corpos na água se decompõem duas vezes mais rápido do que aqueles enterrados no solo. Esse processo é mais lento embaixo da terra, especialmente se o corpo estiver em terreno argiloso ou protegido por outra substância sólida que impeça o ar de chegar, uma vez que a maioria das bactérias necessita de oxigênio para sobreviver.

Dependendo da profundidade que o caixão for enterrado, o corpo pode ficar completamente livre de tecidos e carne dentro de 40 a 50 anos. Cadáveres desprotegidos se decompõem até o estágio do esqueleto muito antes disso. No entanto, pode levar centenas de anos para os ossos se decomporem totalmente.

Embora muitos corpos tenham sido descobertos antes de virarem pó, normalmente um tempo suficiente - dias ou muitos anos - já se passaram, impossibilitando identificar visualmente um individuo encontrado em circunstâncias misteriosas. A pele, o músculo e outros tecidos podem ter se decomposto ou podem ter sido ingeridos por animais selvagens. O que é mais provável que se conserve é o esqueleto. É nele que as respostas normalmente são encontradas pelos antropólogos forenses.

Antropologia forense
é o estudo e a análise de restos mortais humanos com o objetivo de ajudar em investigações criminais. Esses especialistas fornecem informações sobre a origem e a identidade de um corpo, bem como a forma e o momento da morte. A área forense tem diversos segmentos - desde entomologia forense (estudo de evidências de insetos) à odontologia (análise de provas dentárias). Um antropólogo forense pode consultar um odontologista, por exemplo, para determinar com maior precisão a idade média de um esqueleto humano.

Quando um corpo é descoberto, um antropólogo forense é intimado ao local do crime para ajudar a encontrar e reunir restos mortais. Não é tão simples quanto parece. Pode haver dois corpos juntos numa cova rasa ou o corpo pode ter sido encontrado entre ossos de animais deixados por caçadores. O profissional separa os ossos dos outros materiais, os leva ao laboratório e os limpa para depois examiná-los. A análise é complicada por uma série de motivos. Por exemplo, um trauma no osso pode revelar luta com o assassino ou pode ser apenas resultado de um acidente na infância. O exame forense pode ajudar a determinar qual é o caso. Antropólogos forenses também prestam depoimento na justiça sobre suas descobertas - reafirmando sua opinião sobre a identidade ou perfil do indivíduo e a presença de traumas nos ossos ou esqueleto. Quando cientistas forenses aparecem em seriados de crimes na TV, o papel que desempenham normalmente é impreciso e exagerado. O antropólogo forense estuda apenas os ossos e os restos em decomposição de uma pessoa - e não o resquício misterioso de sangue no punho, o chiclete mastigado na boca da vítima ou o padrão peculiar de manchas de sangue na parede atrás do corpo. Algumas tarefas não executadas por eles incluem:

Mesmo que os antropólogos forenses não façam tudo o que fazem na TV, eles têm um trabalho específico. Para analisar corpos corretamente, devem aprender sobre decomposição. Ter experiência imediata ajuda - e é isto que justifica a fazenda de corpos. Elas são como laboratórios práticos onde estudantes aprendem os efeitos ambientais sobre o corpo, assim como observam o processo de decomposição de perto.

Gostou do assunto? Veja a matéria completa clicando aqui e "boa colheita"...HEHEHEHE!!!

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