sábado, 18 de outubro de 2008










GUINEA PIG: O LADO PROIBIDO DO CINEMA ORIENTAL

No ano de 1985 foi lançado no mercado de vídeo uma série chamada “Za ginipiggu” (Guinea Pig, ou traduzindo "Cobaia"), onde mostravam atrocidades e barbaridades em cenas tão reais que muitos pensavam ser um típico “snuff movie” (os filmes onde pessoas eram mortas de verdade em frente às câmeras). Um exemplo é que o ator Charlie Sheen denunciou o filme ao FBI por pensar ser verdadeiro. E o que ajudou bastante foi o fato do filme não dar crédito de direção ou o cast de atores, fazendo com que tudo tivesse um jeitão de origem desconhecida. Em 1986 o produtor da série Satora Ogura mostrou a verdade ao lançar “Meikingu obu Za ginipiggu” (Making of Guinea Pig), onde Nobuaki Koga, o responsável pelo make-up do filme, revela como são feitas as maquiagens e os demais truques da série, quebrando assim um mito que até hoje engana os desavisados. “Za ginipiggu” não é um snuff, mas incômoda tanto quanto fosse. A série é formada por oito episódios, começando com “Za ginipiggu: Akuma no jikken” (Guinea Pig: Devil's Experiment, 85). O filme pode ser considerado um curta com seus apenas 43 minutos, lançado direto para o mercado de vídeo, pois foi feito como um exercício de jovens estudantes de efeitos de maquiagem. O resultado, apesar de sádico, é realmente bom. Não existe roteiro, três homens seqüestram uma mulher com o único intuito de torturá-la e é isso que vemos durante todo o filme, uma tortura atrás da outra até a mulher morrer. Não é divertido, não é interessante, é apenas chocante. Com o sucesso alternativo do filme, vieram as continuações. “Za ginipiggu 2: Chiniku no hana” (Guinea Pig: Flowers of Flesh and Blood), também de 1985, é o mais famoso da série. Este foi o filme que o ator Charlie Sheen assistiu e denunciou. Novamente não existe um roteiro, apenas um exercício de maquiagem. Um samurai seqüestra uma moça e a leva para sua casa. Lá ele a seda e começa a desmembrá-la ainda viva, assistindo a tudo que o doido maníaco está fazendo. Este, além de ser o mais famoso da série, ainda tem como diretor Hideshi Hino, autor do mangá “Panorama of Hell”. A terceira seqüência se chamou “Za ginipiggu 3: Senritsu! Shinanai otoko” (Guinea Pig: He Never Dies), e foi dirigida por Masayuki Hisamoto. Porém, essa continuação só foi lançada em 1992, fazendo com que a ordem cronológica da série ficasse bagunçada, tanto que no título em inglês dos filmes não aparece o número indicando qual é a continuação. Esse é o primeiro da série com um roteiro, bobinho, mas já era alguma coisa. Um rapaz leva um fora da namorada, que o troca por um amigo. Desesperado e deprimido, tenta se suicidar, apenas para descobrir que ele não morre. Tenta as mais brutais e nojentas formas de se suicidar mas está sempre de pé. Então, ao invés de pular em frente de um rolo compressor, vai assombrar o cara que roubou sua namorada. Em 1986 Satora Ogura lançou “Meikingu obu Za ginipiggu” (Making of Guinea Pig), mostrando como foram feitas as maquiagens dos três filmes, mesmo assim muita gente ainda pensava que era tudo real, o que acabou se tornando óbvio pelo conteúdo imaginativo e totalmente irreal das próximas continuações.
Za ginipiggu 4: Manhoru no naka no ningyo” (Guinea Pig: Mermaid in the Manhole, 88), também de Hideshi Hino, conta a história de um artista que encontra uma sereia doente em um esgoto. Ele a leva para casa. Deixa a coitada “confortável” em uma banheira. Com o passar do tempo a doença começa a avançar como um câncer e aparecem feridas pútridas e nojentas pelo corpo da coitada e ele vai pintando cada etapa da doença assim que avança. No mínimo surreal. “Za ginipiggu 5: Notorudamu no andoroido” (Guinea Pig: Android of Notre Dame), também de 1988, só que agora dirigido por Kazuhito Kuramoto, conta a história de um cientista tentando impedir sua irmã de morrer. Ele não pensa duas vezes em matar pessoas para os experimentos na tentativa de salvá-la. Esse é o mais chato da série. “Za ginipiggu 6: Peter no akuma no joi-san” (Guinea Pig: Peter's Devil Woman Doctor, 90). O filme não passa de um monte de situações bizarras tendo um travesti como protagonista. “Shiroi kabe no kekkon” (Guinea Pig: Lucky Sky Diamond, 89). Este estranho filme não faz parte da série, foi considerado como parte do Guinea Pig apenas em solo americano. Conta as experiências nauseantes de uma mulher com drogas em um hospital. Foi dirigido por Izô Hashimoto.


GUINEA PIG COM MENSAGEM – A série insana de Katsuya Matsumura
Ooru naito rongu” (All Night Long) é a obra-prima do diretor Katsuya Matsumura, lançada em 1992. O filme aposta na crítica social, mostrando jovens delinqüentes na sociedade. É de dar medo o que esses garotos são capazes de fazer. Mas o que choca e se destaca no filme são as muitas barbáries como torturas, massacres, estupros e abusos dos mais variados, mostrando que o diretor queria mesmo era embrulhar estômagos. Foram feitas mais quatro continuações, todas dirigidas por Katsuya e intituladas:

Ooru naito rongu 2: Sanji (All Night Long 2, 95)
Ooru naito rongu 3: Saishuu-shô (All Night Long 3: The Final Chapter, 96)
Ooru naito rongu R: (All Night Long R, 2002)
Ooru naito rongu: Inisharu O (All Night Long 5, 2003)
Katsuya conseguiu fazer os filmes mais niilistas do Japão e ainda perdendo em “gore” apenas para a série “Guinea Pig”.

FONTE: Texto retirado do arquivo QUATRO DÉCADAS DE GORE-PARTE IV. Escrito por Gênesis Cardoso da Cruz e postado no site Boca do Inferno.

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