sexta-feira, 26 de setembro de 2008







A BARBÁRIE CONTINUA...
No dia 24 de setembro tem início a 5° edição do CINEHORROR no Espaço Impróprio com André Honney e sua trupe de sociopatas. Nesta edição teremos a honra de assistir pérolas do submundo como FACELESS, de Jesus Franco e o magnífico GUINEA PIG, que assombrou muito marmanjo nos anos 80.
Para maiores informações sobre o evento, visite o site do CINEHORROR: http://www.cinehorror.com.br/

Pra completar este post com estilo, a entrevista com o organizador do CINEHORROR concedida para o quinto número do fanzine elétrico FUN HOUSE.

ENTREVISTA COM ANDRÉ HONNEY, DO PROJETO "CINEHORROR"

1- Cara, saiba que é uma tremenda satisfação estar trocando esta idéia com você.
R:
A satisfação é toda minha. Temos um elo sustentado pela loucura de fazer projetos diferentes e necessários, somos irmãos de ideal.

2- Então vamos aos fatos...Qual a motivação para criar o Projeto CINEHORROR e quantos membros o próprio possue?
R:
Sempre tive o grande sonho de conseguir um espaço para exibir o outro lado do cinema em público e de quebra reunir esse pessoal freak que só se conhece por orkut. O Cinehorror nasceu com um só organizador. Da primeira edição eu dei conta sozinho, da segunda nem tanto, da terceira me fugiu totalmente o controle, que me levou a organizar um coletivo que hoje deve ter 5 membros contando comigo.

3- Já faz tempo que você tem essa empatia com o cinema alternativo ou foi uma daquelas "erupções espontâneas" de criatividade?
R:
Eu sempre gostei de cinema horror. Dediquei boa parte do tempo à maioria dos clássicos e ao horror de cinema. Com o tempo ouvi falar de Cannibal Holocaust, que me levou ao circuito exploitation italiano e que me levou ao Toxic Avenger. Quando cheguei no Toxic Avenger não podia mais passar perto de filmes normais, e viva o cinema feito com mais culhões do que com grana! Minha vida seria bem mais chata e menos inspirada se eu não conhecesse Lloyd Kaufman, Jess Franco, Russ Meyer e tantos outros.

4- O Espaço Impróprio sempre foi um lugar para expôr o underground em todas as suas vertentes ou houve alguma "conversação" para encaixar o seu projeto?
R:
O Espaço Impróprio é underground antes mesmo de qualquer esboço de Cinehorror. O pessoal de lá é bastante libertário, eles têm uma cabeça muito aberta. Lá sempre rolou shows e eventos do submundo, eles ensaiavam uma idéia de cinema livre que ainda estava engatinhando. Quando eu cheguei com o meu projeto, fizemos a parceria perfeita.

5- Uma coisa que notei no local foi a total harmonia do trash-gore com o movimento vegan. Sempre foi assim ou já surgiram algumas discussões entre os grupos?
R:
Nunca surgiu nenhum tipo de discussão, até porque, não tem nem motivo pra isso. Se você for vegan ou mesmo que não seja, mas estiver aconchegado, come o rango de lá, que é gostoso pra caralho! Se não quiser comer rango vegan, é só sair e comer um espetinho de rua na Augusta, é pertinho, não tem nenhum conflito. As vezes tem um ou outro que fala merda por alto, mas se algum cabeça-de-bagre levantasse esta questão pra valer, mereceria um esculacho.

6- Você já trabalhou a idéia de exibir um pouco do que rola no cinema-gore underground anteriormente ou o Espaço Impróprio foi o seu "debut"?
R:
Foi como eu disse antes, sempre quis exibir as bagaceiras em público, mas só conseguia fazer pequenas sessões regadas à cerveja e sangreira na minha casa. O legal, algo que eu não tinha imaginado, é que as sessões são como as que eu fazia em casa, só que agora tem muito mais sangreira, muito mais cerveja e muito mais gente!

7- Existe a possibilidade de transformar o CINEHORROR em algo mais amplo ou "em time que está ganhando não se mexe"?
R:
Existe e inclusive quero que isso aconteça, só precisa estruturar mais a coisa toda. Ainda estamos engatinhando, talvez o Cinehorror continue igual, mas quem sabe eu, ou qualquer pessoa impulsionada por este recomeço, não decida fazer algo maior?

8- Nos fale sobre os pontos altos e baixos do projeto até agora? Como é administrar uma coisa que, na verdade, você gostaria de estar participando?
R:
O ponto alto do Cinehorror é o acesso a raridades do cinema e a pessoas que gostam das mesmas coisas que você, tudo num espírito de liberdade atípico. O ponto baixo é a estrutura, sai legal, mas não do jeito que eu realmente queria, muita coisa tem de ser improvisada por falta de grana. Administrar o evento é maravilhoso, porque é tudo na verdade uma grande festa, com gente fumando charuto, bebendo cerveja, dando risadas e etc. Foi por querer participar da festa e precisar dar suporte para que o evento role como programado ao mesmo tempo, que eu organizei o coletivo, porque em festa eu não costumo ser um exemplo a seguir.

9- E falando em pontos baixos...Como foi recebida a intervenção da Polícia Militar no CINEHORROR 3? Figuras conhecidas como Liz Vamp e Rubens Mello ainda estavam presentes no local?
R:
Eu não vou dar nenhum discurso anti-polícia porque é foda, mas é claro que os gambés foram muito mal recebidos. Não houve nem a possibilidade de fazermos acordo, a vizinhança acionou a polícia por causa do barulho, e os caras apareceram pra foder mesmo. Ou fechava a casa, ou pagava uma indenização de 25 mil pilas! Liz e Rubens ainda estavam por lá, tanto que fizeram de tudo pra tentar um acordo, mas não houve. Lamentável, mas já é página virada.

10- Falemos agora de Peter Baiestorf...como foi trabalhar com essa figura que possue a fama de ser temperamental e expontânea ao extremo?
R:
É muito foda trabalhar com um cara que você admira. Se falasse sobre, acabaria lambendo o saco pra caralho e nem perceberia! O Petter é um cara genial, uma figura que inspira muitas coisas com a garra que tem. Com certeza trabalharemos juntos novamente.

11- Além de exibir e promover bandas, curtas e longas do circuito alternativo você se dedica a outros exercícios?
R:
Eu sempre tive bandas que vão aos trancos e barrancos e agora estou começando a realizar o meu primeiro filme. Precisa ter uma determinação forte pra não largar tudo. O preconceito é grande, a viabilidade financeira também. Todos que mexem com cultura underground, seja música, cinema, desenho ou qualquer coisa, precisa ser não é nem guerreiro, é guerrilheiro!

12- Qual é a meta original do CINEHORROR?
R:
É levar ao público o cinema obscuro num clima descontraído, sem aquele ar blasé.

13- Obrigado por dispensar o seu tempo para ceder esta entrevista e quero que saiba que a Ravens House Brasil estará aberta para qualquer projeto, ok?
R:
Meu tempo foi muito bem aproveitado, fico feliz em ter este espaço pra falar do projeto e fico ainda mais feliz em saber que tem gente interessada e lutando por este submundo da cultura do qual fazemos parte. Muita força pra vocês, gostei pra caralho! Obrigado.



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